sexta-feira, 28 de março de 2008


O MENINO O GATO E EU

ESTOU BÊBADA, MAS DISFARÇO.


ASSIM QUE CRUZO A ESQUINA O MENINO QUE CHEIRA COLA ME OFERECE UM GATO. SIAMÊS, PÊLO E OSSO, LAÇO DE FITA AMARELO ENCARDIDO, NO PESCOÇO.

- TÔ DANDO ELE TIA. É QUE MAL TENHO ARRUMADO PRÁ MIM. ELE SÓ TEM COMIDO RATO, QUE ELE MESMO PEGA. QUALQUER DIA VAI FICAR DOENTE, RATO TRAZ DOENÇA. FICA COM ELE TIA, A GENTE JÁ SE CONHECE AQUI DA RUA. VOU PODER TER NOTÍCIAS DELE. FICA?

O MENINO DÁ UMA CAFUNGADA NO SACO COM COLA E ME OLHA COM OLHOS VIDRADOS. O GATO TAMBÉM ME OLHA, FAMINTO.
INVENTO UMA DESCULPA.

-MORO SÒZINHA,VIAJO MUITO, NÃO POSSO FICAR COM ELE. TCHAU.

-TIA...

DOU FIM A CONVERSA. APRESSO O PASSO. A RUA FICA ENORME. ENTRO NO PRÉDIO. TRÔPEGA, COM ÂNSIA DE VÔMITO SUBO A ESCADA, PENSANDO QUE NÃO PODIA MESMO DIZER AO MENINO QUE MAL TENHO CUIDADO DE MIM.

segunda-feira, 24 de março de 2008

UM DIA DE CÃO
A CONHECI ASSIM QUE CHEGUEI NA CIDADE. ELA ESTAVA INSTALADA NO MEIO DA PRAÇA COM SUAS TRALHAS E CAIXOTES. ELA E UMA DÚZIA DE CÃES. CHEGUEI NO MOMENTO QUE ELA ESTAVA ALIMENTANDO OS BICHOS. FIQUEI OLHANDO ASSIM, MEIO DE LONGE, COM A VISTA EMBASSADA E UMA CRATERA NO ESTÔMAGO. TIVE O ÍMPETO DE AJOELHAR E COMER COM OS CÃES, MAS ELES PARECIAM DISPOSTOS A DEVORAR QUEM CHEGASSE PERTO. ENTÃO DE ONDE EU ESTAVA URREI SE ELA NÃO PODERIA POR FAVOR, ME DAR UM POUCO DAQUELA COMIDA, QUE CHEIRAVA BEM. EU ACHO. DE REPENTE OS CACHORROS PARARAM DE COMER E FICARAM OLHANDO ELA VINDO EM MINHA DIREÇÃO. ENTÃO ELA COLOCOU UM POUCO DAQUILO QUE OS ANIMAIS ESTAVAM COMENDO NUMA LATA DE CÊRA DE ASSOALHO ENFERRUJADA E ME OFERECEU. NEM PUDE AGRADECER, SORVI A MISTURA FEITO UM PORCO. EU ESTAVA FAMINTO. DEPOIS COM UM GARFO E UMA FACA QUE ELA RETIROU CUIDADOSAMENTE DE DENTRO DO NINHO QUE HAVIA SE TRANSFORMADO SEU CABELO, ELA COMEU O QUE RESTOU. OS CÃES EM VOLTA DELA EM ESTADO DE ADORAÇÃO, AGRADECIMENTO, VIGÍLIA, AMOR. COM CERTEZA AGORA EU TAMBÉM ERA UM DELES.